É Proibido Pensar como o Invasor

kimani

Michael Dias de Jesus*

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Quando falamos em África temos, na atual sociedade, a síndrome do afro-pessimismo (África pobre, África doente), essa ideia foi construída desde o tempo da invasão (particularmente não uso a palavra colonização). Para o homem branco alcançar o sucesso com a escravidão ele instituiu um processo frio e cruel, por vários anos a cultura do invasor comprimiu a cultura do negro, por vários anos o povo negro sofreu o processo de desconstrução cultural, era preciso apagar a história e a memória do africano.

O invasor não pensou nas sequelas que causaria naquele continente e naquele povo. O único pensamento era de riqueza sobre riqueza, milhares de negros (as) foram arrancados (as) de suas famílias, humilhados (as) e marcados (as) com os brasões das fazendas, foram obrigados (as) a trabalharem e como forma de pagamento recebiam chibatadas que não machucavam somente a carne, mas também sua alma, povo, história e ancestralidade.

O preconceito ganhou força no tempo da invasão, negros (as) eram humilhados (as) a todo o momento, nunca obtiveram voz, o chicote estralava em suas costas trabalhando ou não e, ainda era lhes jogado sal em suas costas para piorar sua dor e aumentar a alegria do homem branco. O povo negro conviveu durante séculos com palavras e atitudes desumanas. Essas palavras e essas atitudes, infelizmente, chegaram aos dias atuais, é triste escrever que em pleno século XXI ainda temos a escravidão psicológica, a escravidão que oprime e humilha socialmente, ainda em nossa sociedade diariamente pessoas praticam atitudes do invasor, o povo negro continua sendo perseguido e sua cultura quase sempre é levada à marginalidade, praticar ou somar com o preconceito é atingir uma memória e um povo que durante anos resistiram aos grilhões, não é difícil perceber que a cultura do negro está presente nos dias atuais pela resistência daqueles (as) que ficaram mais de três meses em navios passando fome, frio, dor e humilhação, devemos agradecer. A cultura do negro está presente em nosso dia-a-dia, é só olhar para o samba, o acarajé, a feijoada, o jongo, o afoxé, o candomblé e diversas palavras como: cafuné, fubá, banguela e etc.

Conhecer a história do povo negro é conhecer nossos ancestrais e nossas raízes, diariamente movimentos e pessoas lutam contra o preconceito, fico feliz em fazer parte desse movimento, que possamos sempre pensar no (a) outro (a) com um olhar de equidade, que possamos viver em uma sociedade acolhedora e que jamais tenhamos o pensamento do homem invasor que torturou, humilhou e sangrou um povo em troca de riquezas. Que a negritude se faça presente em cada canto e que o povo negro seja valorizado e respeitado.

Lembrem-se… Ainda temos uma grande dívida com esse povo por tudo que nos foi deixado.

*É formado em Licenciatura plena em Geografia pela Faculdade de São Paulo, 2015. Professor do Estado de São Paulo na E.E Jardim Carombé, 2017 -maicon.social@gmail.com.

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Junior Rocha

Preto, amante de tecnologia, política, cultura e cerveja. Fundador da Agenda Preta e de outros projetos que ainda não existem.

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