IV Ocupação Preta na Ocupação Carolina Maria de Jesus

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Data / Hora
Date(s) - 10/01/2016
2:00 pm - 8:00 pm

Localização
Ocupação Carolina Maria de Jesus

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A ocupação preta é um evento onde reavivamos a importância da luta por moradia e também debater a questão étnicarracial através das atividades musicais, saraus, artísticas.

Prévia da programação

14:00 horas: Contação de história e atividades com as crianças.
16:00 horas: Oficina de valorização da beleza negra e de hidratação com produtos naturais com Bruna Caetano.
17:00 horas: Oficina de turbantes com Daniela Oliveira.
18:00 horas: O coletivo Malungo estará no domingo com a gente pra fazer a exibição do documentário Malungo- Não deixe sua cor passar em branco e em seguida o Sarau com a presença da Camila Trindade e todas nós ♥

URGENTE: A reintegração de posse da Ocupação Carolina Maria de Jesus está marcada para o dia 12/01! Precisamos de toda a ajuda possível!

Desde setembro, a Juíza da 45ª Vara Cível, Glaucia Lacerda Mansutti, deferiu em liminar o pedido de reintegração de posse do prédio, porém, nenhuma data nos foi informada e a notícia da reintegração só viria acontecer no período de fim de ano, sucedendo uma série de erros e desrespeitos para com as famílias que agora lá estão.

Irresponsavelmente, na última sexta-feira (12) um oficial de justiça, sem qualquer intimação formal, solicitou uma reunião com as famílias no 23º Batalhão da Polícia Militar. Ao contrário do que parecia haver alguma possibilidade de negociação, por conta da informalidade do chamado, os moradores não sabiam que, impositivamente, a saída delas já estava programada para acontecer no próximo no dia 21 de dezembro, portanto com menos de 30 (trinta) dias a partir da data da notificação.

Sem presença do conselho tutelar e o da pessoa com deficiência e o de direitos humanos, a reunião tinha como real objetivo acuar os moradores que, sem a presença de algum advogado, nem puderam se defender. A única alteração foi a postergação da reintegração para o dia 12 de janeiro.

Breve Histórico:

Em fevereiro deste ano, cerca de 70 famílias ocuparam o prédio pertencente à massa falida do Banco Santos, do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira, condenado a 21 anos de prisão por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e crime contra o sistema financeiro.

O edifício, localizado na rua Iraci 707, região do Jardim Paulista (subprefeitura de Pinheiros), encontrava-se há anos ocioso e deteriorado, fato de conhecimento público, noticiado, inclusive, por diversos veículos de imprensa.

Ocorre que a mesma justiça que absolveu o banqueiro corrupto, solto pela justiça federal por uma questão processual, e que ainda leva uma vida milionária, não expressa igual generosidade com as famílias que habitam o imóvel hoje, rebatizado “Ocupação Carolina Maria de Jesus”, homenagem a uma das grandes escritoras do Brasil.

Enquanto o Sr. Edemar Cid Ferreira ainda pode voltar a possuir sua mansão de R$ 116 milhões de reais, dezenas de famílias – entre as quais pessoas com problemas de saúde, crianças, mães solteiras, idosos, entre outros trabalhadores – enfrentam o pesadelo do despejo como presentes de Natal e Ano Novo.
O abandono pelas políticas habitacionais e pela justiça, em plena violação à Constituição da República de 1988 à Declaração Universal dos Direitos Humanos, ao Pacto Internacional de Direitos Econômicos Sociais e Culturais, aos direitos inerentes à pessoa humana e à sua dignidade.

As crianças, por exemplo, se encontram em pleno ano letivo e devidamente matriculadas nas escolas do bairro; os moradores acessam e realizam tratamento nos equipamentos de saúde da região. Ou seja: é naquela região que constituíram o seu lar e suas vidas há quase um ano.

Aonde existia um edifício em completo abandono, a servir ratos e baratas e em afronta à função social da propriedade, como manda a Constituição, hoje existem seus lares. Ao retirar as famílias do prédio o mesmo ficará ocioso, uma vez que pertence a uma massa falida que há anos se desenrola judicialmente.
Portanto, reafirmamos que resistiremos a mais este ataque e que a legítima luta pela moradia digna não será freada pela sanha do capital.

Não à reintegração da Ocupação Carolina Maria de Jesus.!

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Junior Rocha

Preto, amante de tecnologia, política, cultura e cerveja. Fundador da Agenda Preta e de outros projetos que ainda não existem.