Minicurso – Autoras negras brasileiras

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Data / Hora
Date(s) - 30/07/2016
1:30 pm - 6:30 pm

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Núcleo de Consciência Negra

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O Núcleo de Consciência Negra da USP recebe neste dia 30 de julho a professora e pesquisadora Bianca Gonçalves, que ministrará curso em que aborda a produção de autoras negras brasileiras.

FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO:
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScwgr6e7Ko3JP1Ll_CidcQ5M2_MrXBbtWkYbv9eZfl3OJNkCg/viewform

Abaixo, o programa:

O racismo brasileiro tem como uma de suas características a exclusão de negros e negras da construção da identidade nacional, reservando a essa grande parcela da população as marcas da subalternização, que as/os impedem, dentre outras coisas, de serem vistas/os como sujeito. Na literatura, por exemplo, negras e negros foram exploradas/os como tema nos poemas abolicionistas de Castro Alves que, na intenção de denunciar as mazelas da escravidão, incorreu em objetificações e estereótipos; ou, ainda, na figura do malandro, do bandido, etc. No que diz respeito às mulheres negras, dois tipos de representação se destacam: a da servidão e da hipersexualização. Personagens como a protagonista do conto “Negrinha”, de Monteiro Lobato, uma órfã negra vitimada pelas agressões de sua “patroa” D. Inácia, calcada unicamente na
experiência da agressão e do trabalho análogo à escravidão, bem como a personagem Rita Baiana do romance “O cortiço”, de Aluísio Azevedo, descrita como um objeto sexual; ou, também, a figura da escrava Domingas, mãe do protagonista d'”O mulato”, que havia tido um filho com seu senhor e acaba condenada por este, sendo açoitada e tendo seus genitais queimados, a perambular louca pelo mato. São inúmeros exemplos de figuras negras femininas no cânone brasileiro que muitas vezes revelam a forma como a sociedade – ou, pelo menos, a elite letrada – enxergava as mulheres.
Tendo em vista tal cenário, faz-se necessário um olhar mais atento à produção de autoras negras na literatura brasileira, estas que dão voz na primeira pessoa às narrativas limitadas de outrora. Neste breve curso apresentaremos três importantes escritoras e suas respectivas obras, sendo estas: os contos “Por que Nicinha não veio?”, de Lia Vieira, “Beijo na face”, de Conceição Evaristo e o poema “Não vou mais lavar pratos”, de Cristiane Sobral. As leituras serão acompanhadas de análises e reflexões que tenham como suporte, além das questões inerentes ao objeto literário, noções ligadas ao conceito de raça, classe, gênero e sexualidade que surgem nestes textos.

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Junior Rocha

Preto, amante de tecnologia, política, cultura e cerveja. Fundador da Agenda Preta e de outros projetos que ainda não existem.

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