Negros e Alvos na Casa de Cultura da Brasilândia

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Data / Hora
Date(s) - 30/09/2017
8:00 pm - 10:00 pm

Localização
Casa da Cultura da Brasilândia

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Negros e Alvos – Monahyr Campos e banda
dia 30/09/2017 – sábado
horário – 20h
Casa da Cultura da Brasilândia
R. Raulino Galdino da Silva/ Estrada do Sabão – Vila Brasilândia, São Paulo/SP
Gratuito

link do evento no facebook: https://goo.gl/psSgoL

Negros e Alvos – A Trilha!Espetáculo de Monahyr Campos cria conexões com o público através da música, da poesia e da dança, valendo-sede uma roupagem mais contemporânea para apresentar as tradições da cultura afro-brasileiras através da arte.

Mar / Terra e Ar!

Lidar com temas espinhosos requer de nós um mergulho nas profundezas, em nossas dores – Mar. Pisar firme na Terra é fundamental para que haja um choque de realidade, conectar-se a ela. Afinal, só com raízes profundas as árvores conseguem elevar-se, transcender – Ar.Em todos as etapas, questões ligadas ao racismo são tratadas com leveza, às vezes, com densidade em outras.

A viagem inicia reverenciando a sabedoria dos mais velhos, através de provérbios e mitos milenares. A dançarina, Jéssica Azevedo,como nas estéticas do Butoh ou das danças árabes, nos conta histórias, apresentando narrativas e personagens através de coreografias elaboradas ao longo de séculos. Sua transmutação ocorre a cada novo elemento da história que vai se construindo, anunciado pelo soar dos tambores e os ritmos característicos de cada personagem posta em cena. A troca dos figurinos diante do público expressa a ideia da transformação, como água que encontra a terra e dá origem à lama, a precipitação nas nuvens pelo encontro de água com o ar,dando origem a trovões e tempestades.

Enquanto Alberto Preto e Gabriel Nascimento tocam com precisão as bases rítmicas tradicionais,percebemos o acréscimo de elementos de música eletrônica;enquanto a poesia sempre sedutora e traiçoeira de Monahyr Camposganha contornos melodiosos e a guitarra cortante de Yuri Cristoforo, as referências do cotidiano atemporal dos povos negros são ilustrados pelo figurino inspirado na obra de bispo do Rosário.

Figurinos são um capítulo à parte – confeccionados a partir das técnicas assemblage, baseada no princípio que todo e qualquer material pode ser incorporado a uma obra de arte, criam novaspossibilidades sem perdaspara o sentido original.Sem a opulência de tecidos e indumentárias, peças simples com bordados indicam a força feminina que transborda dos seios e a masculino que brota do falo.

A interação com o público é constante através das falas de Monahyr,seja no chamado para uma percepção mais apurada do mundo, seja como chamado à interação. Crianças são convidadas para brincar no vestido que remete às águas do mar, em referência à fertilidade e abundância dos biomas marinhos. Natureza em harmonia vai se exibindo em cada canção até o momento em que o elemento terra é anunciado, espaço onde despejamos os dejetos para serem reciclados.

No mantra em que se pede “ritmo, harmonia e evolução” como forma de cura à quaisquerchagas, epidemias ou doenças, distribui-se entre os convidados bilhetes com Injúrias Raciaisretiradas de mídias sociais. O convite à reflexão abre o caminho para a paz com referência ao sincretismo religioso e o poder ecumênico da paz marcada pelas fitas de medidas do Bonfim nas vestes utilizadas na cantiga em forma de oração – (“Suplico a Deus, nos livre e guarde”…).

O terço final do show trata com respeito e ironia da opção que muitos negros fazem, de “esquecer” as agressões racistas, como forma de suportar o insuportável.Interpretada pela leveza e astúcia de Patrícia Nascimento, nos faz lembrar que na cultura afro a mulher tem sua força reconhecida, manifestando-se como sabedoria acima da brutalidade.

O rap Pobreza dá voz ao grito da senzala contemporânea, a periferia. A voz encantadora de Matheus Machado soa como um violoncelo áspero, momento de quase-sonho.

A apoteose poderia ser um chamado à insurreição, ganhar espaço na força bruta, mas os versos“a minha inteligência não cala/ minha dignidade, nem se fala”clamam por algo maior:

parafraseando o importantíssimo poeta Oswald de Andrade, podemos concluir que a alegria é a prova dos nove! Após essa viagem desse Ulisses Negro por tamanhas tormentas e fantasias, vem a hora da festa, e nada melhor do que um Jongo e um Maracatu para se anunciaro prazer de ser negro e convidar os presentes para engrossar o canto e a roda de dança.

Não há como não se render ao banho de auto-estima.

 

Ficha técnica:

Concepção/produção: Monahyr Campos e Barbara Ivo

Artista Principal: Monahyr Campos

Músicos acompanhantes: Alberto Preto, Gabriel Henrique, Matheus Machado, Yuri Christóforo

Performer dança: Jéssica Azevedo

Convidada: Patrícia Nascimento

Produção: Barbara Ivo

Duração da apresentação do espetáculo musical: 90 minutos

Faixa Etária: Livre

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