Com romance “Elefantes têm medo de formigas”, Marah Mends cria metáfora sobre classes sociais

Publicitária lança livro que discute racismo, homofobia e violência policial  e deve doar 70% da tiragem

Neste sábado (26) ocorre o lançamento do romance “Elefante têm medo de formigas”, da autora Marah Mends, no Sarau Poesia é da Hora, às 15h, na Livraria Martins Fontes, em São Paulo (SP). A obra que sai pelo selo independente “Edições é da hora” tem como personagens principais Tião, Joana e Pedro, traz uma metáfora entre as classes sociais, gênero, racismo, homofobia e discute temas como violência policial e do Estado.

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Para a autora de 37 anos que integra um coletivo de arte marginal há seis anos e organiza saraus mensais junto às pessoas em situação de rua e em centros de acolhida, a obra é um grito de resistência que aborda as desigualdades sociais e ela teve como inspiração as escolas, as unidades da Fundação Casa, os presídios e o povo de rua. É também, para esse público, sobretudo, que ela escreveu. Cerca de 70% dos exemplares serão doados a escolas públicas, presídios e unidades da Fundação Casa, além de bibliotecas públicas, comunitárias e centros de acolhida.

“O romance traz à tona lixos culturais que precisam diariamente de diálogo para serem desconstruídos: o racismo, a homofobia, a transfobia, o machismo, a guerra, o abandono, o desrespeito. Protagoniza gente da gente, as formigas na sociedade, que lutam ideologicamente – às vezes, sem saber – contra a covardia dos elefantes privilegiados. O livro trata também da importância  da ancestralidade, do estudo como estudo, pra causar reflexão”, destacou Marah.

A entrega dos exemplares serão feitas pessoalmente pela autora, que pretende visitar oito escolas da rede pública de ensino da cidade de Arujá (SP), entre elas a Edir Paulino, onde ela estudou. Já nas unidades de segurança pública, a entrega será combinada com a ajuda do coletivo Poetas do Tietê.

 

Processo criativo e temática

Este é o terceiro romance da autora, que já escreveu “O povo de rua resiste” e “Amarguras de uma paixão”, e foi escrito aos poucos, sendo engavetado, relido e reescrito.  Na estética, traz diálogos ágeis e linguagem simples, direta. Ela explica a escolha: “me agrada a simplicidade das intenções, dos diálogos, da poética que é possível tirar de uma borboleta que boa. A linguagem informal está no meu cotidiano pessoal, social e no cotidiano da maioria das pessoas que seguem comigo. Nesta simplicidade, é possível se fazer entender, aguçar, inquietar e eu gosto quando é assim na escrita. Meu processo criativo segue essa estrada. Talvez seja uma característica”, disse.

Questionada sobre os temas que envolvem o romance, Marah afirma que se devem às estatísticas, sobretudo relacionadas ao racismo, no Brasil. “É um dos países mais racistas do mundo. Não é à toa que foi o último da América do Sul a ‘abolir a escravidão’, mas o pulso ainda sangra, a ferida ainda está aberta. Também é o país onde mais se mata pessoas LGBTs (uma a cada 19 horas). Apesar de todas as outras pautas que podem ser discutidas para compor a dramaticidade de um romance, a ideia ainda é causar reflexão e também dialogar através da escrita sobre este tema, especialmente nas escolas, prisões e centros de acolhida”, contou.

Marah revela também que abordar tais temas foi um desafio que ela mesma se colocou enquanto escritora e ser humano. As questões raciais e de gênero têm sido uma constante nos saraus que participo e aprendo ouvindo, observando, conversando, compartilhando. O que me inspirou a escrever sobre questões de gênero foi a convivência em saraus com as mulheres trans da Casa Florescer – um centro de acolhida para mulheres trans em situação de vulnerabilidade social. Qual é a cor da maioria dos prisoneiros e prisioneiras? Qual é a cor da maioria das pessoas que dormem nas calçadas? Não é mi mi mi. São estatísticas, a desigualdade tá aí na nossa cara. E na escrita vai ter também”, completou.

Vale lembrar que o  livro traz também ilustrações de capa por Onézio, de Guaianazes, textos de contracapa da professora Cristiane Melo e do professor Fábio Luciano, organizador do Sarau da Ponte Pra cá, no Campo Limpo. A diagramação é de Fábio Luciano e a arte da capa de Jurandir Barbosa.

 

Serviço
Lançamento do livro “Elefantes têm medo de formigas”, de Marah Mends
Quando:
sábado (26) às 15h
Onde: Sarau Poesia é da Hora, Livraria Martins Fontes
Endereço: Avenida Paulista, 509, São Paulo (SP)
Ingresso: gratuito

 

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